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ALDEIA DOS ÍNDIOS GUARANI EM NITERÓI

30-09-2008
Por Vera Moll

Meu próximo projeto de livro tem como tema os índios brasileiros, assunto que venho pesquisando intensamente nos dois últimos anos. Pois, no sábado, 13 de setembro, fizemos um passeio inusitado: fomos a Niterói para as festividades de reinauguração da Aldeia Guarani Tekoa MBoy-Ty e para lançamento do Centro de Cultura Tupi-Guarani de Camboinhas. A área é considerada de Preservação Permanente porque tem um sítio arqueológico de mais de 8 mil anos, onde viveram os homens pré-históricos e os ancestrais indígenas.
A aldeia fica em um platô, no final da praia, num local cercado de sítios arqueológicos: os sambaquis. O que são sambaquis? Segundo Pedro Paulo Funaro a palavra significa mariscos em Tupi. Antigos habitantes do Brasil que viviam no litoral e nas margens dos rios comiam os mariscos e jogavam fora as conchas que iam se empilhando. Os montes de conchas iam crescendo e acabavam adquirindo a forma de colinas. “Essas populações guardavam as valvas dos mariscos mais abundantes (ostras, mexilhão, berbigão) acumulando-as em plataformas sobre as quais instalavam suas residências e sepultavam seus mortos” (André Prous).
Segundo o índio Guarani Joaquim, com quem conversamos, a aldeia é composta por 60 pessoas. Em Camboinhas eles têm água doce, peixe na lagoa, a terra não é boa, mas a prefeitura cedeu uma área próxima para que eles possam plantar. Os sambaquis fazem dali um local sagrado, e como bem salientou o cacique Darcy no seu discurso, a FUNAI os ajudou a transferir a aldeia de Paraty para Niterói porque ali existe um cemitério de seus ancestrais.
Presentes e participando da cerimônia de inauguração, índios Guajajara de uma aldeia amiga do Maranhão. Seu líder e pajé alertou para a necessidade de preservação da cultura e, dirigindo-se enfaticamente aos índios que vivem e estudam na cidade, disse que esta cultura data de muito antes de 1500: “Não podemos perder nossa cultura, nossa cultura está no maracá”.
Fomos, alguns de nós, agraciados com a bênção do pajé, o que fez do encontro uma comunhão de dons espirituais.

Bibliografia:
Os Antigos Habitantes do Brasil.
Funaro, Pedro Paulo.
2000 Editora UNESP.

O Brasil antes dos brasileiros
Prous, André.
2006, Jorge ZAHAR Editor 

 

Texto publicado por Vera Moll em http://veramoll.blog.terra.com.br/