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Aldeia

      

Sobre a Aldeia Indígena Guarani de Camboinhas

No início de 2008, os Índios Guarani de Paraty Mirim, tomaram a iniciativa de retornar a um Espaço Sagrado deles, na Praia de Camboinhas, em Niterói, onde há Sambaquis - Cemitérios Indígenas. Seguindo o caminho trilhado por seus Ancestrais, uma família de quase cinqüenta Índios, vindos de Parati, entre Anciões, jovens e muitas crianças, construíram em Camboinhas suas Ocas e enfrentaram o “poder econômico da vizinhança” que, na maioria, não os queria ali.
O Índio Darci, de 29 anos, foi eleito Cacique, talvez o mais jovem do Brasil, e com certeza o mais jovem Cacique do Rio de Janeiro, onde há mais cinco Aldeias Guaranis, na Região de Angra dos Reis e Parati. A resistência heróica desses Índios, para preservar um espaço que estava sendo vilipendiado por “motocross” e curiosos, que ali iam pegar “lembranças de ossos”, por três vezes sofreu ameaças, com homens visivelmente armados, que diziam que se eles não saíssem de lá corriam risco de vida!

Mas, no dia 18 de julho, enquanto os homens estavam fora e somente mulheres e crianças se encontravam na Aldeia, ela foi incendiada. O ato criminoso, além de por em risco vidas humanas, e queimar a moradia dessas famílias, queimou acervos culturais seculares. Junto com as Ocas, foram queimados livros que guardavam segredos da cultura Guarani, muitos escritos à mão pelos Anciões, que já partiram para o Grande Encontro.
Queimaram roupas, utensílios domésticos e tudo que eles possuíam. Queimou entre outros, um instrumento musical que tinha 320 anos!
E queimou a "Casa de Reza" e a Escolinha das crianças, onde o Cacique Darci ensinava Guarani e Português.

O Cacique Darci, traduzindo a perplexidade de todos perguntava: “Porque fizeram isso? Nós estamos aqui para preservar, pra cuidar desse lugar. A gente só quer viver em Paz! Nós só queremos ter o direito de Viver nesse lugar que foi dos nossos ancestrais!”
Eles ficaram sem suas casas, sem seus pertences e sem ter o que comer! Tudo foi queimado!
Os criminosos que praticaram essa barbárie pensaram que assim os assustariam e que eles iriam embora, mas, no mesmo dia, apesar do impacto sofrido, quem foi lá pôde ouvi-los dizer que dali eles não vão sair!
Com o auxílio de muita gente, numa comoção geral de solidariedade que se formou em torno da Aldeia, gente comum de todas as áreas e algumas poucas Entidades organizadas, mas, basicamente pessoas sem nenhuma ligação política, os Índios Guarani reconstruíram sua Aldeia, que foi rebatizada na reinauguração, no dia 13 de Setembro com o nome Guarani: Tekoá Mboy Ty, que quer dizer – Aldeia de Sementes!

E a Aldeia está linda, mais bonita ainda do que antes!
A Casa de Reza foi a primeira a ser reconstruída, porque é o lugar onde eles se reúnem todos os dias, “pra fortalecer o Espírito e a Cultura”, como eles dizem, foi dado o passo inicial também para a formação de um Centro de Cultura Tupi-Guarani.
A Aldeia pretende fazer jus ao nome e ser uma “Semente” da Cultura Guarani, em Niterói, no Rio de Janeiro, oferecendo Cursos de Guarani, Oficinas de escultura em madeira, de artesanato, de comida Tradicional e de Pintura Corporal, além de promover apresentações do Coral de Crianças e Jovens, que cantam Canções Sagradas Milenares. Todas essas oficinas e apresentações culturais constituem as fontes de sustentabilidade desta aldeia, através de sua cultura. Além da pesca e da venda do artesanato.
É de grande importância o apoio da sociedade, ao buscar o conhecimento desta cultura milenar, através de suas visitas à Aldeia, contribuindo assim, para a sustentabilidade da Aldeia de Camboinhas e da Cultura Guarani.
Eles pretendem mostrar principalmente, para crianças e jovens de Escolas da Região, como vivem os Índios hoje, remanescentes dos primeiros habitantes da nossa terra!
A presença dos Índios Guarani, mostrando a sabedoria dessa Cultura Milenar, muito irá honrar Camboinhas, Niterói e o Rio de Janeiro, podendo tornar-se um Pólo Cultural capaz de atrair turistas do Brasil e do exterior, gente curiosa para ver como sobreviveram e vivem hoje esses Índios que sabem preservar a Natureza, porque vivem há séculos em harmonia com ela.
As lições de Democracia e Respeito são só algumas das muitas que podemos aprender com essa Cultura, onde todos são iguais, ninguém manda em ninguém e onde tudo é discutido entre todos e pensado para todos.

Eles convocaram a FUNAI e estão convocando toda a Sociedade do Rio de Janeiro e do Brasil, para mostrar que eles estão vivos e querem ter o Direito de Viver, como Cidadãos Brasileiros!
Eles querem a Demarcação daquela pequena área, no final da Praia de Camboinhas, que, com certeza, com a presença deles lá, será realmente preservada!
Ninguém melhor do que os Índios para preservar a natureza!
Vamos acolher os Índios Guaranis em Camboinhas!
A presença deles impedirá a construção de novos condomínios ou prédios, impedindo que o homem que só vê lucros, passe por cima do passado deles e de todos nós: brancos, índios, negros, mestiços, brasileiros!

Lembrando que Niterói tem sua história marcada pelo Índio Araribóia, fundador da cidade. Niterói era habitada por índios, era “Terra de Índio” e foi dessa época que a Cidade herdou a língua Tupi-Guarani em quase todos os nomes de seus bairros.
É importante resgatarmos a História da Cidade de Niterói, apoiando o retorno dos Índios ao seu local de origem e apoiando a Preservação dos Sambaquis, espaço Sagrado dos Índios.
QUEREMOS: a Demarcação da Aldeia Guarani de Camboinhas, proclamamos as Entidades competentes, os órgãos Governamentais e a Sociedade a defender essa linda Cultura Indígena, que é a Cultura Guarani.
Queremos a Demarcação imediata das terras do final da Praia de Camboinhas, para que haja segurança que garanta os Direitos de Vida da Aldeia Tekoá Mboy Ty - a Aldeia de Sementes!

A Nova Aldeia

A Aldeia  A Aldeia Guarani de Camboinhas sofreu um incêndio onde todas as ocas ficaram destruídas. Após dois meses de muito esforço e mobilização da sociedade, no momento da reconstrução de suas ocas, o cacique batiza a Aldeia com o nome Tekoa Mboy-Ty, que significa "Aldeia de Sementes". O novo nome foi dado pela Anciã do grupo, D. Lídia, e aprovado por todas as mulheres da aldeia!
Vários artistas, de renome Nacional apoiaram a reconstrução da Aldeia Tekoa Mboy-Ty e estão apoiando a sua demarcação, como: Osmar Prado, Antonio Pitanga, Priscila Camargo, Licurgo, Gilberto Miranda, que estiveram presentes inclusive, na aldeia, em Ato Público logo após o incêndio.
Também apoiam a permanência da Aldeia dos Guaranis em Camboinhas, todos os artistas, jornalistas e profissionais liberais que fazem parte do MHuD - Movimento Humanos Direitos, que luta pela extinção do trabalho escravo no Brasil, pela Defesa do Meio Ambiente, dos Povos Indígenas e dos Quilombolas. Luta pela defesa da  Paz e dos Direitos Humanos, em todos os lugares onde esses Direitos estiverem ameaçados. 
 
A permanência dos Guaranis em Camboinhas, tem o apoio de vários setores da Sociedade organizada, além dos apoios individuais, como o do Músico Tony Bellotto, que manifestou publicamente seu apoio, em um belo e comovido artigo na Revista Veja Rio.